No B2B, volume já não basta, por que intenção virou parte da estratégia comercial

No B2B, volume já não basta, por que intenção virou parte da estratégia comercial

Durante muito tempo, geração de demanda B2B foi tratada quase como uma equação de volume: mais contatos, mais mensagens, mais leads e, consequentemente, mais oportunidades.

Só que o comportamento do comprador mudou. E os números começam a mostrar que simplesmente aumentar a intensidade da prospecção não significa aumentar sua eficiência.

Dados apresentados por Thiago Avelino, cofundador e CRO da Chatti, durante o B2B Summit 2026, mostram que uma cadência que precisava de aproximadamente 17 contatos em 2024 passou a exigir 34 em 2026 para gerar resultado equivalente. Ao mesmo tempo, apenas 43% dos vendedores atingem suas metas.

O problema, portanto, talvez não seja falta de contato. Pode ser contato demais, feito sem contexto.

O comprador B2B ficou mais complexo

A jornada de compra B2B já não acontece apenas entre um vendedor e um decisor.

Hoje, uma decisão pode envolver diferentes áreas da empresa, consultores, especialistas, lideranças e outras fontes externas de influência. Antes mesmo de conversar com um vendedor, o tomador de decisão consulta, em média, sete fontes de informação.

Isso significa que, quando o comercial finalmente entra na conversa, aquele potencial cliente muitas vezes já pesquisou o mercado, comparou empresas, consumiu conteúdo e construiu uma percepção sobre as possíveis soluções.

Existe ainda outro dado importante: 67% dos tomadores de decisão preferem uma experiência de compra sem vendedor, mas 69% ainda querem conversar com o time comercial em algum momento da jornada.

O vendedor continua sendo relevante.

A diferença é que ele precisa entrar no momento certo.

Quando aumentar o volume significa apenas aumentar o ruído

O outbound não deixou de funcionar. O que está perdendo eficiência é a abordagem genérica.

Segundo os dados apresentados no B2B Summit, 73% dos tomadores de decisão evitam fornecedores que fazem abordagens irrelevantes, enquanto a taxa média de resposta de e-mails está em apenas 3,43%.

É um sinal importante para marketing e vendas.

Automatizar mais mensagens, ampliar bases e aumentar cadências pode até elevar o número de contatos realizados. Mas, se essas interações não considerarem o contexto do potencial cliente, o momento da jornada e seus interesses, o resultado pode ser apenas irrelevância em escala.

A discussão deixa de ser exclusivamente sobre alcance e passa a envolver intenção.

Quem interagiu com determinado conteúdo? Quem visitou um perfil depois de uma publicação? Quem começou a acompanhar uma liderança da empresa? Quem demonstrou interesse recorrente por determinado assunto?

Isoladamente, esses comportamentos não representam necessariamente uma oportunidade comercial. Juntos, porém, ajudam a construir sinais sobre quando uma conversa pode fazer sentido.

Conteúdo passa a participar da construção da oportunidade

É aqui que marketing deixa de atuar apenas no topo do funil.

Se o comprador pesquisa e constrói percepção antes de conversar com vendas, o conteúdo que encontra durante esse processo passa a interferir diretamente na confiança que terá na empresa.

E não estamos falando apenas das páginas corporativas.

Os dados apresentados por Avelino indicam que perfis pessoais alcançam, em média, 65% da própria rede no LinkedIn, contra aproximadamente 5% das páginas de empresa.

Isso não torna a página institucional irrelevante. Ela continua importante como ambiente de posicionamento, prova e presença da marca.

Mas reforça outra dinâmica: no B2B, pessoas também distribuem autoridade.

Quando founders, diretores, heads, especialistas e profissionais compartilham conhecimento, experiências e pontos de vista, a empresa deixa de depender apenas de uma comunicação institucional para construir confiança.

O conteúdo começa, então, a cumprir uma função maior do que gerar alcance: ele cria contexto para uma futura conversa comercial.

Marketing e vendas precisam operar a mesma jornada

A mudança para uma estratégia orientada por intenção exige também uma aproximação maior entre marketing e comercial.

Marketing pode ajudar a identificar quais temas despertam interesse, quais pessoas estão interagindo com a marca e quais conteúdos estão criando conversas.

O comercial, por sua vez, pode usar esse contexto para substituir abordagens frias por conversas mais relevantes.

Em vez de começar com um genérico “gostaria de apresentar nossa empresa”, a conversa pode nascer de um comportamento real, de uma necessidade percebida ou de um assunto que aquele comprador já demonstrou interesse em discutir.

A tecnologia e a inteligência artificial podem ajudar nesse processo, principalmente na análise de dados e na identificação de padrões. Mas automação sem contexto não resolve o problema.

Como apontado no próprio B2B Summit, o desafio não é simplesmente utilizar IA para ampliar o outbound. É utilizá-la para compreender melhor o lead, seu contexto e o momento da jornada.

Menos obsessão por volume. Mais inteligência sobre intenção.

O B2B não deixou de precisar de escala.

Mas escala, sozinha, já não é estratégia.

Quanto mais complexo se torna o processo de decisão, maior é a necessidade de combinar conteúdo, dados, comportamento, contexto e timing comercial.

Isso muda inclusive a pergunta que empresas deveriam fazer.

Em vez de:

“Como conseguimos falar com mais pessoas?”

talvez seja mais estratégico perguntar:

“Como identificamos quem já está demonstrando interesse e criamos a conversa certa no momento certo?”

Porque, em um mercado saturado de mensagens, aumentar o volume pode ser fácil.

Difícil é ser relevante quando a oportunidade aparece.

Fonte: Mundo do Marketing, a partir da palestra “Conversation Intelligence: o novo playbook de geração de demanda B2B 2026+”, apresentada por Thiago Avelino, cofundador e CRO da Chatti, durante o B2B Summit 2026.