Em um universo no qual a informação existe para além da abundância, isto é, em excesso, chega-se à um dilema: como discernir entre as informações realmente valiosas entre infinitas outras?
Pós Revolução Industrial houve uma hipervalorização da informação, prezando pela quantidade acima da qualidade, o que hoje veio a ser um problema, ainda mais quando voam soltas por aí as denominadas ”fake news”. O paradoxo da questão é que: mais informação não quer dizer necessariamente mais sabedoria. Assim, buscam-se atualmente mecanismos, aos quais nos tornamos cada vez mais dependentes, para avaliar a qualidade do conteúdo que nos é comunicado – o que se dá através dos julgamentos e avaliações de outras pessoas – nos permitindo reconhecer quais as melhores informações.
De fato, nossa relação com a informação mudou e o valor que agregamos à ela também. Dessa forma, hoje experimenta-se uma mudança fundamental de paradigma, rumando da Era da Informação, para a Era da Reputação. Nesta, a informação já vem filtrada, avaliada e comentada por outros. Uma forma de ilustrar isso hiperbolicamente é através do episódio Queda Livre da terceira temporada de Black Mirror, no qual a quantidade de likes dita o seu estilo de vida e todas as relações com o mundo ao seu redor.
Portanto, pode-se notar que a reputação é algo fundamental para a inteligência coletiva na contemporaneidade, representando uma autoridade digna de ponderamento do conhecimento, devido ao coletivo de julgamentos que formam sua base. No entanto, essa soma de julgamentos, normalmente advêm de pessoas que não conhecemos, mas ganham força pela coletividade.
No dia a dia, pode-se dizer que há uma confiança em jornais, revistas e canais de TV, os quais apoiam sua opinião e visão política em pesquisas científicas e comprovações realizadas por especialistas. Mas o ponto é, essa confiança só existe porque as pessoas confiam nesses meios e justamente por isso eles são reconhecidos como confiáveis, tendo a consequente aprovação de quem busca informações pertinentes. Então, mais uma vez, a reputação se percebe acima da informação.
O caminho para se pensar a reputação
Para tentar contornar a proliferação da desinformação na sociedade atual, a reputação deve ser levada em consideração. No entanto, não deve-lhe ser encarregando o peso de atribuir veracidade às informações, mas sim de expandir a visão crítica a fim de possibilitar a reconstrução do caminho percorrido até o status atual da reputação do conteúdo em questão, avaliando, portanto, as intenções implícitas de quem inicialmente disseminou tais informações e então, identificando quais as autoridades que realmente lhe atribuem credibilidade.
Ao entrar em contato com novas informações, deve-se ter em mente: qual a sua origem? Já que, na era da Reputação, o conteúdo não é o fator mais importante da mensagem, mas sim, a rede social de relações que serviu de modelo a esse conteúdo, classificando-o como digno ou não de entrar no seu campo de visão, isto é, de fazer parte da sua teia de conhecimento.
E, é essa capacidade crítica que é extremamente desejável aos profissionais atuais, levando em conta o ambiente no qual estão inseridos em profundo acesso ao universo de informações do mundo digital. Assim, valoriza-se a competência de avaliar a reputação não só de fontes de informações, mas de marcas, empresas, enfim, de todos os âmbitos sociais e então, decidir quais serão os conhecimentos retidos e quais serão descartados.