Entre um compromisso e outro, no deslocamento para o trabalho, nas tarefas do cotidiano ou nos minutos silenciosos antes de dormir, as mulheres brasileiras encontram brechas de tempo. Tempo para si. Para se informar, aprender algo novo, se conectar com assuntos relevantes ou simplesmente pausar e respirar.
Mas como esse tempo é vivido? E, principalmente, como ele se reflete nas escolhas de conteúdo, especialmente no YouTube?
Para entender essa dinâmica, o Google realizou o estudo Femininos Plurais, que cruza dados de consumo do YouTube com análises da Offerwise e da consultoria estratégica de conteúdo Na Rua.
O resultado é um retrato multifacetado: mulheres que acumulam jornadas duplas e triplas, equilibrando casa, carreira e estudos e que, ainda assim, encontram no conteúdo digital uma forma de ampliar repertório, buscar apoio e se aprofundar em temas que fazem diferença em suas vidas.
A seguir, reunimos os principais aprendizados do estudo e mostramos como o YouTube se consolidou como um aliado essencial na rotina feminina.
A maratona invisível do dia a dia
Nove horas e dois minutos. Esse é o tempo médio diário que as mulheres brasileiras dedicam a tarefas de cuidado — como manutenção da casa, preparo de refeições e apoio a filhos e familiares.
Em escala global, esse trabalho não remunerado equivale a US$ 10,8 trilhões, um valor 24 vezes superior a toda a economia gerada pelo Vale do Silício.
E essas 9h02 não existem isoladamente. Elas se somam ao trabalho remunerado, ao empreendedorismo e aos estudos. Hoje, as mulheres são mais escolarizadas que os homens: 44% possuem ensino superior completo, contra 37% deles.
O resultado é uma rotina marcada por fragmentações e transições constantes. O dia se constrói em pequenos intervalos: entre uma tarefa e outra, no trajeto entre compromissos, enquanto uma refeição fica pronta ou durante uma pausa no trabalho.
É nesses espaços que o consumo de conteúdo acontece respondendo a dúvidas práticas, interesses imediatos e necessidades reais do cotidiano.
No meu tempo, na minha tela
Mesmo em meio a agendas cheias, as mulheres conseguem criar janelas de escolha e descanso. É aí que entram o lazer e o consumo de vídeo, às vezes em poucos minutos espalhados ao longo do dia, às vezes em períodos mais longos, geralmente à noite ou nos fins de semana.
Essa lógica ajuda a explicar por que a forma de consumir vídeo mudou nos últimos anos.
Entre 2019 e 2025, o consumo de vídeo on demand (TV + mobile) cresceu 11% entre as mulheres, enquanto a TV linear apresentou queda de 15% no mesmo período. O vídeo deixou de seguir grades fixas e passou a se adaptar ao tempo disponível de cada pessoa.
Mas afinal, o que mais atrai as mulheres quando falamos de conteúdo em vídeo?
O Passion Map, ferramenta que mapeia os territórios de interesse das mulheres brasileiras no YouTube com apoio do Gemini, aponta duas grandes dinâmicas de consumo: Amplitude e Profundidade cada uma ligada a momentos e necessidades diferentes.
Momentos de Amplitude
São os momentos de descoberta. Conteúdos rápidos, leves e de consumo imediato, ideais para intervalos curtos do dia e para ampliar repertório.
Entre as principais paixões femininas nesses momentos estão:
-
Crafts & DIY
-
Sketches de humor
-
Tutoriais e dicas práticas
-
Séries coreanas
-
Maquiagem e cabelo
O humor tem papel central aqui. Vídeos curtos, divertidos e altamente compartilháveis tornam a experiência mais memorável e fácil de absorver.
Momentos de Profundidade
Aqui, o tempo é maior e a intenção também. O consumo busca imersão, explicação, troca e conexão emocional.
As principais paixões nesse contexto incluem:
-
TV e novelas
-
Filmes e séries
-
Wellness
-
Podcasts e videocasts
-
Pintura e desenho
Conversas longas, como podcasts e mesacasts, se destacam como formatos favoritos. Eles combinam profundidade e intimidade, abordando temas diretamente ligados à jornada feminina, saúde mental, maternidade, relações, carreira e cultura pop.
YouTube: um aliado em diferentes momentos do dia
O YouTube ocupa um espaço singular na vida das mulheres brasileiras, especialmente quando o assunto é tomada de decisão, busca por apoio e aprendizado contínuo.
Essa relação se sustenta em três pilares principais: confiança, segurança e profundidade.
1. Confiança para decidir
O YouTube é percebido como um ambiente confiável para orientar decisões do dia a dia. A plataforma é vista como 70% mais confiável do que outras redes um dado relevante se considerarmos que as mulheres são responsáveis pela maioria das decisões de compra relacionadas ao lar, em oito de cada dez categorias.
2. Segurança para temas sensíveis
Quando o assunto é intimidade, o YouTube é avaliado como 38% mais seguro do que outras plataformas sociais. Isso faz diferença porque 58% do interesse feminino na plataforma está concentrado em temas sensíveis como saúde, bem-estar, maternidade, família e religião.
Exemplos claros são vídeos de orientação materna como “como lavar o nariz de um recém-nascido”, com mais de 900 mil visualizações e treinos curtos pensados para mulheres com pouco tempo disponível, que somam mais de 12 milhões de views.
3. Profundidade para aprender
A profundidade é um diferencial decisivo. 68% das mulheres associam o YouTube a conteúdos profundos, o dobro da proporção observada em outras redes sociais.
Essa percepção está ligada a temas recorrentes da rotina feminina: saúde, educação, bem-estar, casa e DIY, podcasts, séries e novelas. A presença de criadores e especialistas qualificados reforça esse papel, são mais de 2 mil canais de médicos na plataforma, além de nomes como Dra. Ana Beatriz Barbosa, que reúne 4,4 milhões de inscritos no PodPeople.
E onde entra o marketing?
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: como as marcas podem se integrar de forma natural e relevante a uma rotina tão fragmentada quanto a das mulheres brasileiras?
A partir dos dados, quatro insights estratégicos ajudam a orientar esse caminho.
1. Aprofunde a presença onde existe intenção
Com 68% das mulheres associando o YouTube à profundidade, há espaço para conteúdos que explicam, orientam e ajudam na tomada de decisão.
Como atuar:
-
podcasts e mesacasts com especialistas;
-
tutoriais detalhados;
-
séries informativas sobre wellness, casa, finanças, maternidade e habilidades práticas.
Esses formatos constroem autoridade, geram lealdade e acompanham as mulheres quando elas buscam respostas confiáveis.
2. Use os momentos de amplitude para ganhar alcance
Nos intervalos curtos, o consumo se volta a conteúdos rápidos e leves.
Como atuar:
-
criativos visuais e diretos;
-
influenciadoras culturais;
-
cortes curtos de conteúdos longos;
-
campanhas pensadas para descoberta e viralização.
Esses territórios são ideais para ampliar audiência e gerar familiaridade com a marca.
3. Construa confiança
O YouTube é percebido como mais confiável e mais seguro, especialmente para temas sensíveis.
Como atuar:
-
conteúdos baseados em evidências;
-
parcerias com especialistas reconhecidos;
-
narrativas que acolhem e esclarecem, sem simplificar excessivamente temas complexos.
4. Pense em jornadas simultâneas
A mulher brasileira transita entre descoberta rápida e imersão profunda e o YouTube permite estar presente nos dois momentos.
Como atuar:
-
estratégia integrada de formatos curtos e longos;
-
planejamento alinhado ao tempo real da audiência;
-
segmentação por momentos: aprendizado, descanso, busca prática e inspiração.
No fim, fica um lembrete essencial: o tempo das mulheres é precioso. E cada minuto bem aproveitado tem o poder de transformar a relação delas com o conteúdo, e com as marcas que fazem parte dessa jornada.