Polêmicas envolvendo celebridades sempre foram parte da indústria da fama, mas, recentemente, o mercado de marketing de influência — ou creator economy, como preferem os especialistas — tem se destacado por gerar discussões acaloradas. Esse crescimento acelerado atraiu mais investimento publicitário, tornando o setor ainda mais relevante e gerando uma onda de pessoas interessadas em se tornar influenciadores profissionais. Um estudo realizado pela Meta em 2022 revelou que 75% dos jovens brasileiros sonham em ganhar dinheiro criando conteúdo para a internet.
Embora seja difícil apontar uma relação direta, o aumento das crises no setor pode estar, de alguma forma, vinculado à pandemia. Durante esse período, o orçamento de marketing foi majoritariamente redirecionado para o digital, já que todos estavam confinados em casa. A creator economy, que já estava em expansão, deu um salto e, com ele, vieram novos desafios.
Alguns dos problemas mais comentados incluem a falta de transparência em publicações patrocinadas, esquemas de pirâmide envolvendo influenciadores, a ascensão de novos nomes no mercado, como a jovem bancária Jeniffer Castro, que virou influenciadora após se recusar a ceder sua poltrona de avião, e influenciadores “corrigindo” outros em rede nacional, como aconteceu entre Luciano Huck e Carlinhos Maia. Esses são apenas alguns exemplos de como o mercado tem sido marcado por polêmicas. O auge aconteceu no final de janeiro, quando uma extensa planilha foi divulgada, contendo comentários anônimos sobre o trabalho com criadores de conteúdo. Após sua grande repercussão, mais uma crise se somou aos desafios da creator economy.
Apesar das questões problemáticas, como destaca Rafaela Lotto, CEO da YouPix, uma das principais consultorias do setor, “o que está sendo feito de errado é muito pouco comparado ao número de profissionais sérios que tentam fazer as coisas da maneira certa”. Ela acrescenta que os erros, embora poucos, acabam gerando grande barulho e servem como aprendizado sobre os limites a serem respeitados.
Diante desse cenário, a YouPix divulgou uma pesquisa feita em parceria com a Nielsen, que confirma a relevância contínua do marketing de influência para as marcas, mesmo diante dos recentes desafios.
Para entender como o setor pode se transformar e manter a qualidade que tornou o Brasil um modelo global em marketing de influência, o Estadão conversou com especialistas, agências, consultores e outros profissionais do ecossistema. Abaixo, estão os cinco pontos centrais que estão sendo debatidos para o futuro do setor:
- Modelo de Intermediação: Como aprimorar a interface entre influenciadores e marcas? Quais são as responsabilidades dos intermediários? Como devem ser os processos de capacitação e ajustes nesse relacionamento?
- Regulamentação: Como definir claramente os papéis e responsabilidades dentro do ecossistema de influência? Quais são as regras para garantir transparência e responsabilização? Como estabelecer um preço justo para todas as partes envolvidas?
- Tecnologia e Inovação: Quais ferramentas e critérios serão utilizados para comprovar os resultados das campanhas? Como aprimorar a moderação de conteúdo diante de questões como fake news e haters? Quais compromissos éticos o mercado deve assumir diante do crescimento da inteligência artificial?
- Associação Profissional: Existe a necessidade de uma representação formal para a creator economy? Quem irá determinar as boas práticas do setor? E quem se responsabilizará pela profissionalização e proteção dos interesses dos criadores de conteúdo?
- Múltiplas Fontes de Renda: Como equilibrar as expectativas e realidades sobre a compensação profissional ao trabalhar com marcas? Quais outros formatos de monetização devem ser considerados pelos influenciadores? Como eles podem se tornar empreendedores de fato?
Essas são algumas das questões que estão sendo debatidas por profissionais da área. No entanto, a grande pergunta continua: quais são as práticas que não apenas parecem boas, mas que realmente trazem benefícios para todos os envolvidos? O mercado está em busca dessas respostas para garantir que o futuro da creator economy seja sólido e sustentável.
Fonte: Estadão